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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Amizades Atemporais

Aos meus amigos


Encontro diariamente vestigios da nossa amizade amontoados nos cantos empoirados da prateleira. As cartas, emails, fotos, lembranças...
Abri antigas caixas e chorei de tanto rir. Li escritos antigos e lembrei de amores passados. Vocês estavam lá em ambos os pólos da minha sanidade mental.
Eu faço uso da licença poética de Vinicius de Moraes, e digo:
"
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que
permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
enquanto
o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que
tivessem morrido todos os meus amores,
mas
enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos
e o quanto minha vida depende de suas existências ...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso
lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não
tem noção de como me são necessários,
de como são
indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles
fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que,
sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

E me envergonho, porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda
furiosa da vida
não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo
comigo,
todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só
desconfiam
- ou talvez nunca vão saber -
que são meus amigos!

"

Mal pude responder decentemente os sms's que recebi ontem. E vergonhosamente não retornei outros emails, não procurei seus telefones e me culpo. Mas me sinto feliz, ainda que acuada na minha própria vergonha, pois os levo no coração.
De onde ninguém há de tirar. Não importa o tempo que passe.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Sublime

Me deixa te explicar.
O toque não é apenas um toque. Teus dedos entrelaçam os meus e escrevem tua história aos poucos na minha.
Sou criminoso confesso, e já te disse várias vezes que ler meus pensamentos também é crime. Assim como leio os teus.
Estranho compartilhar sorrisos e abraços e colos com quem não vejo... Não toco.
Mas te sinto. Além do toque, além das fronteiras.
Nosso caso é transcedental. Não entendo mais onde tu começas e eu termino. Não sei quem sou quando acordo. Porque as vezes acordo sendo tu, e sei que acordas sendo eu também.
Me olho no espelho e te vejo refletida...
Será problema de personalidade, ou meu eu interior exteriorizado em ti?

Pega minha mão, diz que esse pesadelo acaba como acabou antes.
Compartilha comigo tuas ideias. Ou não compartilha, deixa-me adivinhá-las. São as minhas também.

O meu eu, está em você.... Como amigas siamesas que tem o cérebro unido.
Não o cérebro, a alma. Nasceram juntas e não se separam. Não enquanto houver toque...