Nem lembro que idade eu tinha exatamente.
As coisas passavam rápido demais e cada instante era tão eterno.
4 meses naquele caso havia sido perda de tempo. De ambos, mas pra ser sincera mais dele que meu. A memórias, quando queremos, mantém vivos os momentos mais simbólicos...
Nunca mais usei cinza.
Naquela mesma noite retomei meu trabalho já esquecido dentro da gaveta. Era uma pseudo escritora com consciência para não sobreviver as custas de livros. Como é engraçado, trabalhar como fotógrafa e escritora simultaneamente.
'O que os olhos não veem, o coração não sente' - Um quadro com essa frase decorava meu estúdio. Na verdade nem sei que escreveu, e nem ligava muito pra ela.
Mas naquele dia fiquei mais tempo no estúdio com a desculpa de finalizar pelo menos aquele capítulo.
E qual seria o título afinal?
Já eram 3 da manhã e depois de 50 páginas escritas (e reescritas) decidir não decidir naquela hora. E se meu carro ainda estivesse lá, pegaria ele e iria no Hard Candy.
Mostrando postagens com marcador Mr Jones e Eu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mr Jones e Eu. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Mr Jones e Eu (parte II)
'Quando todos te amam, você nunca fica só'
Nessa época eu tinha um certo fetiche por estrangeiros, e o Crows sempre atraia esse tipo de freguesia. Era um pub que eu frequentava quase sempre, caso não fosse para o Hard Candy ver o Mr Jones fazer malabares com garrafas vazias.
Nesse lugar que conheci Duritz. Eu estava de cinza, Duritz também.
Ele sussurou algo no meu ouvido quando passei por ele. Algo como "Todas as belas cores são muito, muito significantes, e cinza é minha cor preferida". Me senti simbólica.
Todos querem ser simbólicos. Ser alguém para outro alguém. E confesso que aquela frase me arrepiou a espinha.
Esqueci todos ao meu redor e só vi aquele jovem alto, barbudo e com sotaque irlandês. E mesmo não sabendo definir um sotaque irlandês, reconheci que só poderia ser...
Foi sinestésico. As outras vezes que nos vimos mais ainda. Não precisava de muito pra me convencer, e ele fez mais do que o suficiente.
Depois de três encontros já havia sido muito. Demais pra mim. Meu maior relacionamento não havia durado dois meses e envolvia mais sentimento do que 'aquilo'.
Não que Duritz fosse um cara ruim. Na verdade ele era mais do que já havia tido (ainda que não tivesse tido muito).
Tocava Dylan no violão, como se fosse o próprio. E quando atingia os graves me transportava para um lugar qualquer que não sabia dizer o que significava. E a noite seu quarto exalava um aroma de romance noir. Como se fosse o próprio Raymond Chandler.
Era perfeito.
Mas não era pra mim.
Durante o tempo que ficamos juntos parei de frequentar o Hard Candy. Foram-se 4 meses? Passou rápido demais...
Ao fim não havia mais barba e dos 2 metros restaram apenas alguns centímtros de mágoa...
Nessa época eu tinha um certo fetiche por estrangeiros, e o Crows sempre atraia esse tipo de freguesia. Era um pub que eu frequentava quase sempre, caso não fosse para o Hard Candy ver o Mr Jones fazer malabares com garrafas vazias.
Nesse lugar que conheci Duritz. Eu estava de cinza, Duritz também.
Ele sussurou algo no meu ouvido quando passei por ele. Algo como "Todas as belas cores são muito, muito significantes, e cinza é minha cor preferida". Me senti simbólica.
Todos querem ser simbólicos. Ser alguém para outro alguém. E confesso que aquela frase me arrepiou a espinha.
Esqueci todos ao meu redor e só vi aquele jovem alto, barbudo e com sotaque irlandês. E mesmo não sabendo definir um sotaque irlandês, reconheci que só poderia ser...
Foi sinestésico. As outras vezes que nos vimos mais ainda. Não precisava de muito pra me convencer, e ele fez mais do que o suficiente.
Depois de três encontros já havia sido muito. Demais pra mim. Meu maior relacionamento não havia durado dois meses e envolvia mais sentimento do que 'aquilo'.
Não que Duritz fosse um cara ruim. Na verdade ele era mais do que já havia tido (ainda que não tivesse tido muito).
Tocava Dylan no violão, como se fosse o próprio. E quando atingia os graves me transportava para um lugar qualquer que não sabia dizer o que significava. E a noite seu quarto exalava um aroma de romance noir. Como se fosse o próprio Raymond Chandler.
Era perfeito.
Mas não era pra mim.
Durante o tempo que ficamos juntos parei de frequentar o Hard Candy. Foram-se 4 meses? Passou rápido demais...
Ao fim não havia mais barba e dos 2 metros restaram apenas alguns centímtros de mágoa...
Marcadores:
conto,
Mr Jones e Eu,
parte 2,
romance
Mr Jones e Eu (parte I)
Mr Jones era hispânico. Adorava a forma de como ele fitava qualquer uma que entrava naquele lugar. E na verdade toda vez que imaginava seu corpo nu minha mente logo se pervertia.
Mr Jones....
Era mais velho que eu, uns 10 anos ou mais. Garçom de um bar pouco frequantado na época, mas logo que o grande público descobriu o preço da cerveja ele lotou. Dizem que Jones era o próprio dono do local, e prefiria que lhe chamassem de "Mistêr". E ainda soletrava caso não o fizesse.
- É M-I-S-T-E-R Jones, moça. Mas se você quiser pode ser Mr Jones e Eu.
E foi assim que nos conhecemos mais profundamente. Não tão profundamente quanto eu queria, mas o suficiente para o cumprimento 'quase íntimo' de três beijos a cada vez que nos víamos.
Em certa ocasião eu o vi fora daquele lugar, estava acompanhado por uma moça loira. Mais alta que eu e seios fartos. Poderia ser uma modelo de lingerie. Usava um corpete justo, que fazia seus seios triplicarem de tamanho. Ele com uma camisa de flanela verde musgo que só ressaltava seus olhos. Na verdade custei crer que era ele. Sem a barba mal feita era quase impossível reconhecê-lo.
Foi nessa mesma noite que conheci Duritz, um irlandês que beirava os dois metros e tinha uma barba longa. Como ele estava perto de Jones, digo Mr Jones, achou que meus olhares eram pra ele. E antes do fim da noite (e depois de muitas doses de whisky) eu lhe dei meu telefone.
Sua insistência foi digna de prêmio....
Mr Jones....
Era mais velho que eu, uns 10 anos ou mais. Garçom de um bar pouco frequantado na época, mas logo que o grande público descobriu o preço da cerveja ele lotou. Dizem que Jones era o próprio dono do local, e prefiria que lhe chamassem de "Mistêr". E ainda soletrava caso não o fizesse.
- É M-I-S-T-E-R Jones, moça. Mas se você quiser pode ser Mr Jones e Eu.
E foi assim que nos conhecemos mais profundamente. Não tão profundamente quanto eu queria, mas o suficiente para o cumprimento 'quase íntimo' de três beijos a cada vez que nos víamos.
Em certa ocasião eu o vi fora daquele lugar, estava acompanhado por uma moça loira. Mais alta que eu e seios fartos. Poderia ser uma modelo de lingerie. Usava um corpete justo, que fazia seus seios triplicarem de tamanho. Ele com uma camisa de flanela verde musgo que só ressaltava seus olhos. Na verdade custei crer que era ele. Sem a barba mal feita era quase impossível reconhecê-lo.
Foi nessa mesma noite que conheci Duritz, um irlandês que beirava os dois metros e tinha uma barba longa. Como ele estava perto de Jones, digo Mr Jones, achou que meus olhares eram pra ele. E antes do fim da noite (e depois de muitas doses de whisky) eu lhe dei meu telefone.
Sua insistência foi digna de prêmio....
Marcadores:
conto,
Mr Jones e Eu,
parte 1,
romance
Assinar:
Postagens (Atom)