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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Mr Jones e Eu (parte III)

Nem lembro que idade eu tinha exatamente.
As coisas passavam rápido demais e cada instante era tão eterno.

4 meses naquele caso havia sido perda de tempo. De ambos, mas pra ser sincera mais dele que meu. A memórias, quando queremos, mantém vivos os momentos mais simbólicos...
Nunca mais usei cinza.

Naquela mesma noite retomei meu trabalho já esquecido dentro da gaveta. Era uma pseudo escritora com consciência para não sobreviver as custas de livros. Como é engraçado, trabalhar como fotógrafa e escritora simultaneamente.
'O que os olhos não veem, o coração não sente' - Um quadro com essa frase decorava meu estúdio. Na verdade nem sei que escreveu, e nem ligava muito pra ela.
Mas naquele dia fiquei mais tempo no estúdio com a desculpa de finalizar pelo menos aquele capítulo.

E qual seria o título afinal?
Já eram 3 da manhã e depois de 50 páginas escritas (e reescritas) decidir não decidir naquela hora. E se meu carro ainda estivesse lá, pegaria ele e iria no Hard Candy.

Mr Jones e Eu (parte II)

'Quando todos te amam, você nunca fica só'

Nessa época eu tinha um certo fetiche por estrangeiros, e o Crows sempre atraia esse tipo de freguesia. Era um pub que eu frequentava quase sempre, caso não fosse para o Hard Candy ver o Mr Jones fazer malabares com garrafas vazias.

Nesse lugar que conheci Duritz. Eu estava de cinza, Duritz também.
Ele sussurou algo no meu ouvido quando passei por ele. Algo como "Todas as belas cores são muito, muito significantes, e cinza é minha cor preferida". Me senti simbólica.
Todos querem ser simbólicos. Ser alguém para outro alguém. E confesso que aquela frase me arrepiou a espinha.
Esqueci todos ao meu redor e só vi aquele jovem alto, barbudo e com sotaque irlandês. E mesmo não sabendo definir um sotaque irlandês, reconheci que só poderia ser...

Foi sinestésico. As outras vezes que nos vimos mais ainda. Não precisava de muito pra me convencer, e ele fez mais do que o suficiente.
Depois de três encontros já havia sido muito. Demais pra mim. Meu maior relacionamento não havia durado dois meses e envolvia mais sentimento do que 'aquilo'.
Não que Duritz fosse um cara ruim. Na verdade ele era mais do que já havia tido (ainda que não tivesse tido muito).

Tocava Dylan no violão, como se fosse o próprio. E quando atingia os graves me transportava para um lugar qualquer que não sabia dizer o que significava. E a noite seu quarto exalava um aroma de romance noir. Como se fosse o próprio Raymond Chandler.
Era perfeito.
Mas não era pra mim.

Durante o tempo que ficamos juntos parei de frequentar o Hard Candy. Foram-se 4 meses? Passou rápido demais...

Ao fim não havia mais barba e dos 2 metros restaram apenas alguns centímtros de mágoa...

Mr Jones e Eu (parte I)

Mr Jones era hispânico. Adorava a forma de como ele fitava qualquer uma que entrava naquele lugar. E na verdade toda vez que imaginava seu corpo nu minha mente logo se pervertia.
Mr Jones....
Era mais velho que eu, uns 10 anos ou mais. Garçom de um bar pouco frequantado na época, mas logo que o grande público descobriu o preço da cerveja ele lotou. Dizem que Jones era o próprio dono do local, e prefiria que lhe chamassem de "Mistêr". E ainda soletrava caso não o fizesse.

- É M-I-S-T-E-R Jones, moça. Mas se você quiser pode ser Mr Jones e Eu.

E foi assim que nos conhecemos mais profundamente. Não tão profundamente quanto eu queria, mas o suficiente para o cumprimento 'quase íntimo' de três beijos a cada vez que nos víamos.

Em certa ocasião eu o vi fora daquele lugar, estava acompanhado por uma moça loira. Mais alta que eu e seios fartos. Poderia ser uma modelo de lingerie. Usava um corpete justo, que fazia seus seios triplicarem de tamanho. Ele com uma camisa de flanela verde musgo que só ressaltava seus olhos. Na verdade custei crer que era ele. Sem a barba mal feita era quase impossível reconhecê-lo.
Foi nessa mesma noite que conheci Duritz, um irlandês que beirava os dois metros e tinha uma barba longa. Como ele estava perto de Jones, digo Mr Jones, achou que meus olhares eram pra ele. E antes do fim da noite (e depois de muitas doses de whisky) eu lhe dei meu telefone.
Sua insistência foi digna de prêmio....

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Se os fatos são contra mim, pior para os fatos!


Não é fácil....

Na verdade ela supunha que havia sido conspiração.Mas náo, e se houve, foi a do próprio destino.

Nem sempre as coisas dão certo, mas naquele dia exepcionalmente, elas deram todas erradas!

Uma sexta-feira típica de inverno londrino. Mais um dia de tablho, mais uma noite atromenatda pela insônia. Como se não fosse o suficiente se manter com cafeína, naquela manhã a lancheria que costumava comprar seu café estava fechada.

Por sorte havia levado uma porção de café solúvel a mais para tomar durante a tarde. Duas quadras do seu serviço, seu carro estranhamente estraga. Como se fosse para ajudar, começa a chover.

Hoje seria o dia da tão esperada promoção. Mas que coencidência, seu chefe resolveu viajar a negócios... Sua promoção foi adiada em uma semana.

Ainda assim conseguia rir, de si mesa, mas ainda sorria. Como poderia existir alguém tão "azarada" assim. De qualquer forma, já estava molhada, com o carro guinhchado e começara a sentir sinais de sono.

Um dia típico, com trabalhos típicos. Teria que voltar de ônibus com todos aqueles memorandos para digitar durante a noite.

Às 19 horas começa o serviço enquanto olha TV.

A dona de uma lancheria havia ganhado um prêmio milhionário e havia abandonado seu negócio. Uma loja de conveniência havia premiado o dono de um guincho por salvar a uma criança no momento em que ele guinhchava um carro próximo ao local.

O telefone toca. Não havia prestado atenção no noticiário. Na linha, seu patrão, informando-a que estava sendo afastada da empresa, e que só precisava voltar no outro dia para entregar a pilha de trabalho que havia levado para fazer em casa.

A empresa fora vendida para uma multinacional.

No jornal informam os números de outro prêmio lotérico, não prestara atenção, mas havia apostado noite passada....

Não precisava mais do emprego, estava com a vida ganha. Mas de que adianta tanto dinheiro, se estava jogando-se pela janela do apartamento...


Sorte que morava no primeiro andar!

"Se os fatos estão contra mim,pior para os fatos" (Nelson Rodrigues)