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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Tudo que posso lembrar

Estranho ouvir uma música e se lembrar de um momento específico. Dia 18 de junho fará um ano. Um ano que passou rápido. Rápido demais.
Estranho ter lembrado disso agora.
Liguei na música sem querer e seguindo a mesma intuição comecei a chorar.
Sabe, eu nunca havia sentido isso por alguém antes. É um amor estranho. Como se ama poucas pessoas. Como se ama um mestre.
Complicado tentar explicar. Não li todos seus livros, não vi todas suas entrevistas, não enviei aquela carta....
Amanhã fará um ano que escrevi ela. Era pra ti.
Queria ter enviado. Minha cosciência pesaria menos.
Aliás, as lembranças fazem com que o fardo de viver seja mais leve.
Se temos lembranças, logo vivemos.
Lembro dessa música, lembro que estava ouvindo quando li.
Lembro que chorava.
Eu vivo, mas me indago, porque tu não vives mais.
Como eu disse aquela vez, e repito nesse momento:
"Não tive o prazer de te conhecer, mas sinto na sua perda a perda de um amigo, de um irmão, de um pai... De um mestre. Porque o mundo era um lugar bem melhor só porque tu estavas nele."


Sinto saudades de um estranho... Estranho sentir saudades de quem nunca se sentiu.
#LutoEterno Saramago.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Moacyr Scliar

— Até parece que moro noutro planeta... Mas deixa pra lá


Sei que pode parecer clichê e até mesmo previsível falar de Moacyr Scliar. Me disseram uma certa vez que apenas somos lembrados e venerados após a morte.
Mentira.
Não por ser uma inverdade, mas é mentira porque não se aplica em todos os casos. Escritores e artistas não morrem. Eles não se permitem esse direito.
Eles não podem nem devem partir desse planeta... Mas como ele mesmo disse, parece que vivo em outro planeta.
Saibamos nós que Moacyr era colunista da Zero Hora. Mas quantos abriam o caderno Donna para ler sua coluna semanal?
Eu fazia isso.
Ainda que não fosse para sua exclusividade, pois também leio Luis Fernando Veríssimo e Martha Medeiros.
Moacyr era, assim como alguns outros autores, um oasis em meio ao deserto, escasso de cultura.
Não é culpa do nosso país, mas de toda bagagem cultural que nos empurram pela garganta. A média de livros lidos pelos americanos é de cerca de 35 por ano. Comparativo desnecessário, mas ainda assim válido para uma pequena reflexão...
Você já leu algum livro este ano?
Sinta penar por aqueles que você conhecia, ainda que fosse através de páginas desbotadas de livros empoeirado.
E usando uma frase memorável de Saramago,

"Não creio que haja maior respeito que chorar por alguém que não se conheceu."

...e choro, ainda que apresente um sorriso no rosto, minha alma é triste e sofre com essa perda irreparável.