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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Podemos ser heróis

Sim, nós podemos ser heróis.
E nao porque o David Bowie, ou um personagem de filme clichê disse.
Mas somos humanos ilimitados, e temos o direito de sermos o que quisermos. Ser herói não é uma consequência biológica, mas uma escolha.
E heróis também quebram barreiras.
Um herói pode ser o pai que leva o mundo nos ombros e evita que o vejam chorar.
Uma mãe que abre mão do alimento pra saciar o filho.
Um doador de sangue.
Um motorista de ônibus que espera o passageiro que chegou atrasado.
Ou o jovem que abre a mão do acento para um idoso.

E sim, podemos ser heróis por um dia, mas não seria mais belo se fôssemos por TODOS os dias?
Sermos diferentes faz a diferença. Se um elemento se nega a compactuar com a obra dos outros ao seu redor, já se faz um herói.

Somos condutores das nossas próprias vidas, e só depende de nós escolhermos o caminho para qual devemos guia-la.

sábado, 23 de abril de 2011

Um Longo Adeus

Esse é o título de um livro. Mas não haveria melhor forma de manifestar-se diante do fim. Preparara tudo. Na verdade vinha preparando desde o momento em que veio ao mundo, e parecia saber a hora exata em que partiria.
Naquela noite estava tudo estruturado. Separou seu Château Mouton-Rothschild de 1945 do ano em que a guerra havia findado.
A França não era a mesma, mas o Au Lapin Agile continuava de pé. Passara por ele aquela tarde. Já havia visitado o lugar tantas vezes, fazia inclusive parte da história dele. Havia uma foto sua nos altos de sua juventude no corredor do local. Deu um adeus para as velhas lembranças. E enquanto se dirigia para saída e suas mãos enrugadas haviam girado a maçaneta, uma lágrima escorreu de seu rosto.
Tantos amantes, tantas canções, tantos sonhos.
Fora uma jovem puritana, se transformou numa cobiçada dançarina de cabaret e acabara como uma grande filósofa. Era quase como uma Lou-Salomé com ares de uma Simone de Beauvoir.
Deixara o passado para trás mas nunca deixara de ser uma grande menina. As convenções mantinham seu ego nas alturas. Debatia face a face com os maiores gênios da humanidade. E quando não estava certa, persuadia seus adversários com um par de pernas estonteantes.
Logo seus adversários passavam a ser seus novos amantes.
E todos na cama tinham um objetivo em comum.
Mas o tempo sempre passa, e de repente suas pernas não eram tão atrativas quanto antes. E o tempo lhe ensinou a persuadir de outra forma.
Seus adversários eram amantes de suas ideias, e não de suas pernas.
De onde tirara aquele vinho?
Neuilly-sur-Seine era um lugar bem melhor antes dos artistas começarem a frequentá-lo. Seu pequeno apartamento tinha uma vista tão bela quanto a inocência de uma criança. Até hoje se culpava por não ter tido uma. Poderia ter adotado, seira altruísta, mas não o intentava. E para quem deixaria todas aquelas lembranças?
Toda mulher sempre sonha em ter filhos. Entendera ao fim da vida o porquê disso. Se deparava com o fato de não poder repassar seus bens, suas lembranças...
Tirou o pó da velha vitrola, já era noite. As estrelas começavam a cortar o sol que se punha. Observara o pôr-do-sol todos os dias desde que se mudara para lá. Era a coisa mais preciosa daquele local, e julgava esse ser o motivo do alto valor do local.
Escrevera um testamento, tudo para os pobres!
Pobres de espírito que não admirivam a poesia, que não liam com a alma, que não viam com o coração. Ou seja, tudo para o governo.
Fora irônica, aliás os anos lecionando filosofia lhe ensinaram bem a fazer isso. Seus alunos iriam ao seu enterro, e talvez até deixassem flores no seu túmulo.
Tirou o vinil autografado por Sinatra, o maior. Nunca o abrira, mas já era hora. Ajustou a velha agulha, ouviu o atrito com o disco, que gemia como uma virgem.
Aquela voz inconfundivel gritou: That's Lifeeee.
Era essa a canção, pegou uma taça do vinho que já estava aberto sobre a mesa. Abriu voluptuosamente as janelas. Despiu-se
Colocou o vestido empoirado e vermelho. A lua parecia beijá-la. Dançava conforme a canção.
E nunca se sentira tão leve.
Fechou os olhos e por um instante as rugas desapareceram, as varizes pararam de doer. A idade nem pesava tanto.
Viu todos seus amantes naquele grande salão. Todos beijavam sua mão e convidavam para uma dança.
Não abrira mais os olhos....
Mas um dia os fechara?

Não morre quem um dia bem viveu.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Destino

"Destino diz respeito a ordem natural estabelecida do universo [...] O destino é muito usado para tentar explicar o absurdo dos acontecimentos existenciais"


E se ele fosse embora, ela iria atrás? E se ela fosse, ela estaria manipulando a ordem natural das coisas?
Sua astúcia lhe dizia onde ele estaria naquele dia, se ela fosse ao seu encontro, estaria indo longe demais?
Ela se questionou sobre o destino.. Ele trás e leva as coisas. Cabe a ela ir buscá-las?
E se para o destino agir, basta deixar as portas abertas, é do nosso direito sair porta a fora e buscá-lo?


Assim como lavamos o corpo devíamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa. - F. Pessoa


O destino é uma variável da vida. Nossas ações perante ele que definem nosso futuro.
NÓS SOMOS EXCLUSIVAMENTE OS RESPONSÁVEIS PELO NOSSO DESTINO. Interagindo com ele, ou sendo apenas meros espectadores do espetáculo.

O que você faz da sua vida. O sonhos que deixa pelo caminho. As cruzes que carrega sob os ombros, SÓ DIZEM RESPEITO AS SUAS ESCOLHAS.

Faça da sua vida o que melhor lhe agradar!